Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e se destaca por suas temperaturas extremas e por sua superfície marcada por crateras, lembrando muito a aparência da Lua.
Por não ter atmosfera significativa para reter calor, o planeta enfrenta variações intensas entre o dia e a noite.
Mesmo pequeno e com clima hostil, Mercúrio guarda pistas valiosas sobre a formação inicial do Sistema Solar e os processos que moldaram os planetas rochosos.
Durante o dia, a superfície de Mercúrio é exposta diretamente à intensa radiação solar, fazendo as temperaturas subirem para cerca de 430 °C, especialmente nas regiões próximas ao equador. Sem uma atmosfera capaz de reter calor, o planeta perde rapidamente essa energia quando o Sol se põe. Assim, durante a noite mercuriana, as temperaturas despencam para cerca de –180 °C, criando um dos maiores contrastes térmicos do Sistema Solar. Essa variação extrema revela o quanto a ausência de uma atmosfera densa influencia o clima, tornando o ambiente altamente instável e inóspito.
Por estar tão próximo do Sol e ter uma rotação muito lenta, um único dia em Mercúrio dura cerca de 176 dias terrestres, um contraste marcante em relação às 24 horas da Terra. Isso cria longos períodos de luz seguidos por longos períodos de escuridão, alterando completamente a noção de dia e noite. Sua órbita rápida e rotação peculiar também fazem o Sol ter um movimento incomum no céu, chegando a nascer, parar e retroceder em algumas regiões. Esse comportamento singular ajuda a entender como rotação e translação moldam o ritmo do menor planeta do Sistema Solar.
Mercúrio tem um diâmetro de cerca de 4.880 km, tornando-o pouco maior que a Lua e significativamente menor que a Terra. Em comparação, o nosso planeta é mais que duas vezes maior, o que reflete diretamente nas diferenças de massa e gravidade entre os dois mundos. A gravidade na superfície mercuriana equivale a cerca de 38% da terrestre, ou seja, você pesaria pouco mais de um terço do que pesa aqui. Seu tamanho reduzido e sua composição rochosa ajudam a explicar por que Mercúrio perdeu calor rapidamente e não manteve uma atmosfera densa ao longo do tempo.
A crosta de Mercúrio revela algumas das paisagens mais antigas e extremas entre todos os planetas rochosos:
Apesar de estar tão perto do Sol, em crateras que nunca recebem luz direta, sondas como a MESSENGER encontraram evidências de depósitos de gelo de água, preservados no frio eterno dessas sombras.
Observações feitas da Terra já sugeriam essa possibilidade, mas as imagens detalhadas da missão confirmaram o achado.
É um contraste surpreendente: um planeta escaldante durante o dia, mas com bolsões de gelo protegidos pela escuridão permanente.